24 de novembro de 2016

O cara que matou o filho estourou a minha bolha

Se tudo der certo e eu conseguir seguir carreira jornalistica, vou sofrer com um problema muito sério. Muitas vezes eu não consigo formular um pensamento coerente sobre alguma coisa assim que acontece, e é isso que o jornalista deve fazer (claro, digo isso se for para escrever crônicas ou qualquer coisa parecida com as que eu escrevo aqui, afinal, em notícia não se coloca opinião. Talvez outra coisa com a qual eu vou sofrer).

Na semana passada, no dia 15, um senhor de 60 anos, chamado Alexandre, matou o filho, Guilherme, por "divergências políticas" e depois, se matou.

Fonte: G1

Eu demorei bastante pra assimilar essa notícia por que um pai matou o filho por não "aceitar o envolvimento do filho em movimentos sociais" (segundo o site do G1). Nunca é fácil você assimilar qualquer notícia de assassinato, mas, infelizmente, algumas situações são corriqueiras. Você nem dá mais atenção, mesmo que sejam vidas e mesmo que todas as vidas tenham o mesmo valor. Mas aí, um pai mata um filho por discordar da forma como o filho dele PENSA. 

E pra piorar todo o contexto e deixar tudo mais difícil de digerir, segundo testemunhas, ele disparou contra o filho, que, mesmo ferido, conseguiu fugir. Ele perseguiu o filho, de carro, e efetuou mais disparos, foi então que o Guilherme acabou morrendo no local. Em seguida, Alexandre se matou.

Depois de ler essa notícia (e alguns comentários no post) aí sim, a bolha em que eu vivo estourou de vez. No facebook, no twitter, nas redes sociais de uma forma geral, e nas relações sociais, a gente se cerca de pessoas que pensam como nós. (Ao menos, geralmente).

Querendo ou não, o que eu leio vem de pessoas que tem o pensamento inclinado com o meu, os posts, as piadas, os memes, quase 90% das coisas que eu sigo e dos meus amigos pensam de uma forma bem parecida com a minha. Quando eu vejo algo que bate de frente com meus ideais, penso: "O que é isso, como alguém pode pensar assim?" e é como se aquele pensamento que diverge do meu fosse o diferentão. Essas mortes me fizeram ver que na verdade, não.

Não existe algo que seja O DIFERENTE, porque estamos totalmente polarizados. Cada um tomando a sua posição. O que quero dizer com isso é que a pessoa que pensa diferente de mim existe, mas ela só é diferente de mim, existem várias pessoas que pensam da mesma maneira que ela. E, honestamente, não acho que tomar uma posição e ter uma opinião formada seja ruim, isso nunca matou ninguém. Mas o extremismo mata, e é ele que me assusta.

Fora dessa bolha eu consigo enxergar muitas coisas que antes estavam melhor mascaradas. O perigo está em começar a achar que quem pensa diferente de você é um alien, é com isso que devemos tomar cuidado. 

Esse tempo de polarização extrema me assusta. A liberdade de pensar e a liberdade de agir (quando este não machuca/ofende/humilha ninguém) deve ser respeitada.


Somos nós que tomamos as nossas posições, e não as posições que tomam a gente. 




Links para ler sobre o caso: aqui e aqui.

4 comentários:

  1. Off-topic
    Olá, eu queria saber a sua opinião.
    Não quero brigas, eu não quero discutir...
    Eu to em choque com esse vídeo e é claro que procurei fontes, é verdade. O que você pensa? Você defende?
    https://www.facebook.com/ConspiracaoIlluminati/videos/1647077501976212/
    O nome da pág é estranho, concordo, porém o vídeo não é deles...
    Gosto do seu blog, não acompanho há muito tempo. Vc defende isso... ? Não to julgando ninguém...

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    1. Oi. Olha, eu também procurei fontes... segundo a VEJA o feto humano não sente dor até 24 semanas http://veja.abril.com.br/saude/feto-humano-nao-sente-dor-antes-de-24-semanas/

      Eu me pergunto se realmente existe alguém que seja a favor do aborto tipo VAMOS ABORTAR, ngm é a favor disso, eu sou a favor da descriminalização sim. Os motivos pelos quais eu sou à favor são: sendo proibido ou não, acontece. Então, eu acho que, se vai ser feito, deve sim ser feito com o mínimo de dignidade possível pra mulher. Se estamos falando de vida e de que somos à favor da vida, pq não somos "pró-vida" dessas tantas mulheres que morrem nesses abortos clandestinos? (são 50 mil mulheres/ano http://revistamarieclaire.globo.com/Noticias/noticia/2016/10/cerca-de-50-mil-mulheres-morrem-por-aborto-clandestino-ao-ano.html)

      Lembrando que no Uruguai, por exemplo, onde foi legalizado o aborto em até 3 meses, o número de abortos realizados caiu, pelo apoio maior que a mulher recebeu durante o acompanhamento.

      Todo mundo sabe que existem métodos contraceptivos, mas nenhum é 100% seguro. A questão realmente é que o aborto já acontece e é uma das principais causas de morte feminina no Brasil, então a forma como pensamos sobre o aborto precisa no mínimo, melhorar.

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    2. By 18 weeks, pain sensory receptors spread to “all cutaneous (skin) and mucous surfaces,” and the cerebral cortex (the portion of the brain responsible for higher functions like reasoning and language) has the same number of nerve cells as a full-grown adult.
      http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM198711193172105

      To experience pain an intact system of pain transmission from the peripheral receptor to the cerebral cortex must be available. Peripheral receptors develop from the seventh gestational week. From 20 weeks’ gestation peripheral receptors are present on the whole body.
      http://www.karger.com/Article/Pdf/338146

      The human fetus from 18–20 weeks elaborates pituitary-adrenal, sympatho-adrenal, and circulatory stress responses to physical insults
      http://anesthesiology.pubs.asahq.org/article.aspx?articleid=1944707

      Entendi o seu ponto de vista, mas de fato eles sentem dor...
      A questão é que o bebe sofre e tenta viver.
      É triste, mas vai acontecer do mesmo jeito, não é...?
      Que menos pessoas sofram com esse ato então~
      Obg por responder.

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    3. Sou a favor da descriminalização só até a décima segunda semana... e não é nada lindo, nem agradavel, eu também entendo o seu ponto de vista. Obrigada pelo comentário.

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