15 de julho de 2016

O feminismo não é só sobre você

Eu acredito fielmente que nós somos o que somos ensinados a ser. Portanto, a não ser que você já tenha crescido numa família com ideais feministas e também durante a sua formação como individuo(a) não esteve em contato com conceitos machistas (o que é muito difícil) você absorveu o machismo e também reproduziu. Isso vai acontecer, e para parar de reproduzir machismo e qualquer tipo de preconceito, só buscando duas coisas: informação e desconstrução de tais ideais.

Mas esse texto nem é sobre as pessoas que não fazem a mínima ideia do que seria o movimento feminista, tampouco para quem "faz alguma ideia" e mesmo assim julga o feminismo como desnecessário ou como "o contrário de machismo". Na verdade, esse texto é direcionado essencialmente para as mulheres que já conhecem o feminismo, se declaram feministas, mas suas ações acabam destoando do que o movimento se propõe.



Isso mesmo.

Antes de mais nada, não quero me auto-afirmar como perita no assunto. Mas, se eu tô escrevendo esse texto é porque acredito saber algo sobre. Então, vamos lá: o feminismo tem como objetivo equiparar a mulher ao homem na sociedade, reduzindo (e num futuro utópico, mas que eu acredito)/acabando com as diferenças sociais, políticas e econômicas entre homens e mulheres. E todo esse processo exige empoderamento feminino, algo do tipo de mostrar a mulher que ela é tão capaz quanto, e que ela pode fazer as mesmas coisas que um homem faz, sem ser julgada de uma forma diferente da qual um homem seria. 

Exemplo básico: Um homem que fica com muitas mulheres é pegador, mulher que fica com vários homens não recebe o mesmo título. Por que não? A resposta para isso vocês já sabem.

Mas como eu já havia dito, o foco desse texto é outro. 

A impressão que tenho é que nós temos o feminismo numa espécie de bolha. Dentro dela estamos nós e nossas amigas. Mulheres que estão fora desse campo, não entram.

Digo isso porque vejo muita mulher empoderando amiga e tomando as rédeas sobre seu corpo e sobre suas decisões, mas esquecendo que a outra mulher que ela mal conhece compartilha de todos os preconceitos, angústias e medos que ela também possui. 

E é fácil de perceber isso: quando você vê uma desconhecida e cochicha com sua amiga sobre a aparência/roupa dela, quando você julga uma mulher que você não conhece ou conhece e talvez não gosta por atitudes que você não julgaria a si própria e nem a uma amiga. Quando você vê uma mulher falando asneiras sobre feminismo e a julga como otária sendo que pensava da mesma forma antes de se desconstruir. Um exemplo muito simples disso foi quando Anitta e Pitty foram no programa Altas Horas, na Globo e tiveram uma pequena discussão sobre direitos feministas e TODO mundo caiu em cima da Anitta, no melhor estilo "olha lá, que burra" ou "Pitty rainha, Anitta nadinha". Sobraram memes nesse estilo:


Mas faltou sororidade! Faltou perceber que sim, a Anitta estava reproduzindo machismo. Mas ela não ganha nada com isso e a gente muito menos em julgar.

O que ainda falta é se colocar no lugar da outra mesmo que você não a conheça. Realmente, olhar como uma igual, como alguém que passa o mesmo que você, todos os dias.

Eu ainda poderia inserir nesse contexto a diferença entre as classes e como isso agrava ainda mais essas diferenças, e de como as mulheres pobres e negras sofrem AINDA mais com isso, mas isso seria assunto para outro texto e quem sabe até para outra pessoa escrever, alguém com uma vivência maior nesse contexto.

O que quero deixar como verdadeira sugestão é: olhe as outras mulheres como você olha para você. Não rebaixe uma mulher, nem a companhia de uma mulher, (ainda vejo gente dizendo que amizade entre homem e mulher é melhor ZzzZz) É claro que se alguma mina fez coisas ruins para você, você não precisa ficar sendo amiguinha dela "em nome do feminismo". Mas num sentido geral nós temos e precisamos nos unir.

Porque se a gente não se ajudar, ninguém vai.





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