19 de abril de 2016

Entre 64 e 2016, a história se repete

Reprodução: guimaraes.org.br



Apesar de achar que minha capacidade em guardar conteúdo (no sentido de acumular) não seja muito boa, eu sempre prestei atenção nas aulas de história. 

Hoje percebo como na escola, o conteúdo é compactado e a gente conhece apenas os fatos 'grandes' na política. Os acontecimentos, organizados por ordem cronológica, nos são apresentados mais ou menos assim:

31 de março de 1964: golpe militar contra o governo de João Goulart
1º de abril de 1964: João Goulart viaja do Rio para Brasília e depois para Porto Alegre, onde desiste do confronto militar e parte para o Uruguai
15 de abril de 1964: Castelo Branco assume a presidência

etc. e etc.

O que quero dizer é que talvez por ingenuidade nós não pensemos por esse lado. Cada data é um tipo de Dia D, e parece que só naquelas datas tiveram acontecimentos relevantes.

Agora, sendo uma jovem de 18 anos vivendo no Brasil, no ano de 2016, eu sei que enquanto um golpe é articulado no país, a grande maioria da população continua vivendo sua vida normalmente. Eu sei que na TV, apesar da grande atenção dedicada ao assunto (que não é tratado como golpe uma ÚNICA vez, assim como em 64) continuam passando vários outros conteúdos, continuam acontecendo os jogos de futebol e eles continuam sendo comentados. Continuamos comendo, saindo, ouvindo música e tudo mais. 

E os dias que nós sabemos que entrarão para a história, como domingo, são apenas dias, que ficam marcados, mas passam como qualquer outro, a não ser por toda a indignação que fica entalada na garganta por muitos dias. E que eu não sei se um dia vou conseguir engolir.

Agora eu sei mais do que nunca que a História se repete. Esse trecho:

Não havia um projeto de governo bem definido, além da necessidade de se fazer uma "limpeza" nas instituições e recuperar a economia. 

Consegue adivinhar de que ano é? É de 64, mas É INCRÍVEL como se encaixa com o contexto atual.
O que aconteceu há alguns anos pode chegar um pouco diferente, com outros personagens, com outras falas, mas no fim o que acontece é igual.

No momento eu vivo cada dia dessa instabilidade política e sinto muitas coisas: tristeza, indignação, entre outros sentimentos. Mas daqui a alguns anos eu sei que o que vai restar, novamente, serão as datas dos acontecimentos. 

A relação entre o passado, o presente e o futuro é que a gente pode aprender com o que aconteceu no passado, aplicar no presente e mudar o futuro. O que muda de 64 pra cá é que é IMPOSSÍVEL que não tenhamos aprendido nada. Não foi apenas um golpe pra chegar no poder. Foi um golpe pra permanecer no poder por 21 anos. 

Estamos num regime democrático há apenas 27 anos, e ele já sofreu um forte golpe (literalmente). 

Se essa parte da História vai se repetir, eu ainda não sei, espero com todas as minhas forças que essa seja mais uma diferença entre 1964 e 2016.



Fontes para o texto: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964

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