8 de março de 2016

Sobre o dia da mulher e alguns estereótipos

Muitas pessoas não sabem, mas a origem do dia internacional das mulheres foi provocado por uma tragédia.

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, que ficava em Nova Iorque, iniciaram uma greve reivindicando melhores condições de trabalho. Isso incluía redução na carga diária de trabalho para dez horas (uma vez que a carga horária era de 16 horas diárias); igualdade de salário entre homens e mulheres, que efetuavam a mesma carga horária e ainda assim o salário dos homens era maior; e tratamento digno e melhores condições de segurança dentro da própria fábrica.

Isso aconteceu no período de setembro de 1909 até fevereiro de 1910, gerando um efeito dominó que consequentemente causou uma greve geral e uma grande repressão por parte dos patrões da indústria têxtil.

Em meio ao um ato dentro da fábrica de tecidos, a mulheres que ali estavam foram pegas de surpresa por um incêndio (criminoso) e, para outra surpresa, a maioria não conseguiu sair pelas portas estarem trancadas. Há relatos de mulheres que se jogavam das janelas da fábrica, tentando sobreviver.

Neste período, muitas mulheres que participaram da greve foram presas acusadas de perturbar a ordem pública. Também pelo incêndio, foi registrada a morte de 146 trabalhadores, dos quais 17 eram homens e 129 eram mulheres e meninas.

(Existe um documentário relatando a história de algumas dessas operárias; infelizmente não consegui achar dublado/legendado. Para quem puder entende-lo em inglês, o nome é Triangle – Remembering The Fire.)

Reprodução: www.pdt.org.br

O dia do incêndio foi lembrado, dali pra frente, em todo o mês de março como um momento decisivo para a democracia e direitos da mulher. Foi através desse movimento que surgiu em todos os continentes o dia internacional da mulher.

Só no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. E somente no  ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.

Eu escrevi tudo isso, toda a origem do dia internacional da mulher, pra refletir sobre uma coisa.
Eu não sei vocês, mas eu vi muita gente no meu facebook com as seguintes pérolas:

“Feliz dia internacional da mulher para minha mãe”
“Feliz dia internacional da mulher, por que não é fácil menstruar”
“Feliz dia internacional da mulher, por que não é fácil usar salto 15”
“Feliz dia internacional da mulher, por que é difícil ser bipolar”
“Feliz dia internacional da mulher pra quem sabe ser uma”

Eu quero dizer que ser mulher é muito mais que isso. Ser mulher é muito mais do que estereótipos de gênero que são vomitados internet a fora. 

Reprodução: facebook.

Esses tipos de estereótipos deflagram e camuflam toda a história do real movimento do dia internacional da mulher. E isso ocorre por várias razões. Uma delas está ligada ao consumismo.
Para o capitalismo, todas as datas comemorativas e/ou históricas são motivo para COMPRAR.

Especialmente no dia internacional das mulheres, para comprar flores, chocolate – Não estou dizendo que você não pode presentear sua esposa, sua filha, sua mãe. Mas, se você faz isso, ou conhece alguém que faz, você consegue ver o real significado do dia da mulher?

A história, o contexto social, que fez o movimento acontecer vai além do que se tornou para o capitalismo. O dia internacional da mulher vale para todas as mulheres que no passado lutaram para a emancipação das mesmas em diferentes aspectos, tanto políticos, econômicos e sociais.

Mesmo com todos os avanços até aqui alcançados por mulheres no passado, ainda há muita coisa a se fazer em relação aos direitos das mulheres. Posso citar algumas pautas aqui, que estão mais em vista na nossa realidade atual: a legalização do aborto; a mulher dentro do esporte; a violência doméstica (mesmo que exista a lei maria da penha, por dia são registrados 13 assassinatos de mulheres no Brasil); o assédio e (falta de) respeito; a competitividade entre as mulheres (que é gerada pelo sistema) entre ser mais bonita, ter o corpo mais bonito, ou seja, o padrão de beleza; atividades que são consideradas de mulheres (lavar louça, sqn queridos);  a jornada de trabalho (por que mulher tem que trabalhar fora e ainda trabalhar em casa, em atividades domésticas). Enfim!

E quero acentuar que é pra isso que o feminismo existe. Não é mimimi não, galera. O movimento feminista busca pela equidade entre homens e mulheres em todo o aspecto social. O feminismo real NÃO impõe que mulheres são melhores que os homens.

Que caiba aqui o reconhecimento de todas as mulheres, feministas que lutaram pela equidade ao longo da história; que caiba também o reconhecimento as que não se consideram feministas (mas muitas vezes são, sem ao menos perceber), as machistas (que infelizmente nascem, crescem e vivem nesse sistema).

Antes de discutirem argumentos vazios sobre o assunto, peço a vocês, queridos leitores do blog da Ane, que busquem informações sobre o verdadeiro feminismo. Percebam que na construção da sociedade, sempre – eu enfatizo o sempre – foram definidos padrões para os gêneros. A mulher sempre foi a menos favorecida quando se trata de direitos. Isso engloba a questão da mulher dentro da politica, do jeito da mulher se vestir, do que fazer com o corpo dela. Todas essas coisas que vemos todos os dias no facebook (principalmente).

Parabéns á juventude, que vem com um movimento incrível de desconstrução em todo o âmbito escolar/comunidade/casa. Assim, é possível dar continuidade as grandes conquistas das mulheres. Parabéns a juventude que consegue voz em meio ao caos opressor (muito mais opressor para minorias, e isso inclui de fato as mulheres).

Reprodução: facebook

Então, lembre-se, que o dia internacional da mulher não apenas para parabeniza-la por ser uma mulher guerreira. Mas é também para refletir sobre os direitos das mulheres dentro da sociedade. Não é um dia apenas para celebrar. É um dia para pensarmos o que é ser mulher dentro da sociedade, e eu digo, é mais do que ser mãe, é mais do que menstruar, é mais do que usar salto 15, é mais do que ser bipolar. 

Deixo aqui minha eterna gratidão e honra pelo espaço concedido por minha amiga Ane, nesse blog sensacional dela, para idealizar sobre o que eu penso sobre o assunto! J


We can do it!
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Gabriella Paulino é a autora desse texto e está no 5º semestre de ciências sociais. 
VALEU GABI ☺


Referências para o texto: http://blogdaboitempo.com.br/2016/03/07/as-que-vieram-antes-de-nos-historias-do-dia-internacional-das-mulheres/

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