31 de março de 2016

Conheça uma mulher: Malala Yousafzai

A série Conheça uma Mulher está chegando na reta final, e a penúltima mulher nessa penúltima semana é Malala Yousafzai.

Reprodução: portalexclusiva.com

Eu acho que conhecia 'mais ou menos' a Malala até o seu atentado, em 2012, em que ela foi baleada por talibãs na cabeça enquanto voltava da escola. Na época ela tinha 15 anos, e eu 14. O incidente acabou tornando ela mais famosa e eu assisti na TV o motivo pelo o qual ela foi baleada: Malala lutava para que as meninas também tivessem acesso à educação no Paquistão. Eu lembro que torci muito para que ela sobrevivesse, para que ela melhorasse. Eu pensava "ela não pode morrer"; "ela não vai morrer". Pode parecer distante, mas eu sentia medo, por que na última vez que eu acompanhei um caso de uma garota de 15 anos baleada  - e quis muito que ela sobrevivesse - foi o da Eloá Cristina, que foi sequestrada pelo ex namorado aqui em São Paulo. Infelizmente, ela acabou não resistindo, o que gerou uma comoção nacional. 

Casos diferentes, desfechos diferentes. A Malala sobreviveu praticamente sem sequelas, e permanece ativista pela educação das meninas paquistanesas.

Depois disso eu fiquei louca pra ler o livro que a Malala lançou em outubro de 2013, um ano depois do atentado, que tem como título Eu sou Malala: A História da Garota que Defendeu o Direito à Educação e Foi Baleada pelo Talibã (essa parte em itálico é o subtítulo, mas é que eu gosto). No ano passado, poucos dias antes do aniversário dela, consegui ler o livro, mas era emprestado, então eu não tenho nenhuma foto bonitinha que as blogueiras organizadas tem, aquelas fotos que o livro tá perto de uma xícara de café, ou em cima de um móvel de madeira, sabe? Não tenho, então vai uma foto da internet mesmo:

Reprodução: amazon.com

Malala nasceu no dia 12 de julho de 1997, em Mingora, no Paquistão. Ela sempre frequentou a escola, e devo dizer que lendo o livro percebi que muito provavelmente Malala não seria quem é se não tivesse desde sempre o apoio do seu pai, que antes do nascimento da filha já tinha fundado uma escola que recebia alunos de ambos os sexos. A escola era particular, mas o pai de Malala, Ziauddin, concedia tantas bolsas de estudo às pessoas que não podiam pagar que eles sempre estavam no vermelho. A família da Malala também vivia em condições precárias, então manter a escola aberta era uma luta.

Quero explicar que eu acho que Malala não teria feito tudo o que fez se não tivesse o apoio do seu pai não porque não ia querer, mas pelo fato da cultura do país. Se seus pais, mas principalmente seu pai não a apoiasse, provavelmente eu não estaria contando essa história nesse blog hoje.

Malala e seu pai, Ziauddin.
Reprodução: bolsademulher.com

Em 2007 o Talibã tomou conta da região onde Malala morava e no ano seguinte decretou que as escolas que davam aulas a meninas deveriam ser fechadas. Pra quem não sabe, o Talibã é um grupo extremista, assim como o Estado Islâmico, que eu já citei nesse post. Eles são contrários à educação das mulheres e a muitas coisas em relação às mulheres. Em suma, não querem que sejamos tratadas como gente.

Foi nessa época que a BBC foi atrás de estudantes que estivessem dispostos a falar sobre o tema. Então, Malala criou um blog, assim como eu, chamado Diário de uma Estudante Paquistanesa. Ela usava o pseudônimo de Gul Makai para falar sobre o seu dia-a-dia sob o regime Talibã. Apesar de usar um nome falso, o blog ganhou notoriedade, e como Malala não tinha medo de defender abertamente o direito à educação das mulheres, não era difícil ligar uma coisa a outra.

Ziauddin também era ativista da educação, assim como a filha, e a família imaginava que no caso de um ataque terrorista, ele seria o alvo. Mas estavam enganados.

No dia 9 de outubro de 2012, o Talibã não estava mais no controle do Swat, onde Malala morava. Ela estava voltando da escola para casa, acompanhada de suas amigas. Pouco tempo havia passado quando dois jovens entraram no ônibus e perguntaram "Quem é Malala?" ninguém respondeu, mas os olhares em direção à ela bastaram para que ela fosse identificada. Os tiros começaram e além de Malala, que levou um tiro na cabeça, duas meninas ficaram feridas.

Malala ficou em estado muito grave e corria um grande risco de ficar com sequelas. Ela foi transferida para Birminghan, na Inglaterra, e aos poucos, conseguiu se recuperar. Malala conseguiu abrigo na Inglaterra e desde então, mora no país.

Malala alguns dias depois do atentado.

Reprodução: g1.


Uma coisa que se percebe lendo o livro é que em vários momentos a descrição é feita para que percebamos a beleza do lugar onde Malala nasceu, e principalmente: como ela ama e sente falta do seu país natal. Para mim, que sou "ocidental", é estranho imaginar o Paquistão - palco de algumas guerras e de uma cultura bem diferente da que estou acostumada - com um país em que eu quisesse viver. Mas entendo perfeitamente Malala, por que, com todos os defeitos, amo meu país, e me entristeceria muito ser obrigada a deixá-lo. "Acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém". - Malala

Seu primeiro discurso após sua recuperação foi no seu aniversário de 16 anos, na ONU. Malala disse "Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam",

Em 2014, Malala ganhou o Nobel da paz, se tornando a pessoa mais jovem a receber o prêmio.
Reprodução: revistaforum.com

Atualmente, Malala continua na luta para que não só as meninas, mas todas as crianças do mundo tenham acesso à educação. Segundo Malala: "Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo". Ela disse essa frase, e é incrível a maneira como ela é exemplo disso. 

O post ficou enorme, proporcional à minha admiração pela minha admiração pela Malala. No TCC do ensino médio do meu grupo, que tinha como tema A importância do movimento Feminista nos dias atuais, a epígrafe foi uma frase da Malala: 'Só percebemos a importância da nossa voz, quando somos silenciados".

Obrigada por ser uma grande inspiração, Malala Yousafzai.



Para ver outros posts da série Conheça uma mulher, é só clicar no marcador #conheçaumamulher no fim desse post ou lá no fim da página.  

Referências para o post: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/saiba-quem-e-malala-yousafzai-paquistanesa-que-desafiou-os-talibas.html
http://www.bolsademulher.com/dia-da-mulher/malala-conheca-a-menina-que-ganhou-nobel-da-paz-ao-lutar-por-direitos-das-mulheres
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/10/131007_malala_perfil_rw

Acessados pela última vez no dia 29/03/2016

Livro Eu sou MalalaA História da Garota que Defendeu o Direito à Educação e Foi Baleada pelo Talibã (finge que tá na ABNT)

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