18 de fevereiro de 2016

Conheça uma mulher: Leila Diniz

Reprodução: The Brontes

Leila Roque Diniz foi uma atriz brasileira, nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro no dia 25 de março de 1945.

Eu ouvi falar pela primeira vez da Leila Diniz em algum site feminista, muito provavelmente algum desses três aqui. Poderia ressaltar qualquer uma das reações que eu tive ao ler sobre ela, de se interessar pela história, de ficar encantada pela personalidade dela, mas sendo bem sincera, a reação mais forte que tive foi a de ficar impressionada. 

Eu me impressionei pela coragem que ela tinha em falar tudo o que falou naquela época. Pensei que, se ainda hoje, mulheres poderiam ser julgadas pelas mesmas coisas que ela disse há tanto tempo, imagine só há mais de 40 anos.

Leila era professora, mas aos 17 anos casou-se com o cineasta Domingos Oliveira e começou a atuar, primeiro no teatro e na TV, depois, no cinema.

Apesar dos 14 filmes e das 12 novelas que participou, o legado de Leila não se deve exatamente a isso. Dona de uma personalidade irreverente, quebrou muitos tabus no período da Ditadura Militar.

Ela concedeu uma entrevista histórica ao jornal "O Pasquim" (você pode ler aqui) no qual ela falou sobre seu trabalho, mas falou também sobre sua vida amorosa. Num dos trechos da entrevista, após ser perguntada sobre quantos casos teve desde que se separou, Leila responde: "Casos; mil. Casadinha nenhuma. Na minha caminha, dorme algumas noites, mais nada. Nada de estabilidade." Isso em 1969!!! Além disso, a entrevista é repleta de palavrões, é tão censurada que em alguns trechos nem dá pra entender. Numa época em que só os homens falavam palavrões. Outra frase que ficou marcada durante essa entrevista, foi:  "Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo".

Pra vocês terem uma noção de como era a sociedade da época, Leila também escandalizou por outra atitude. Quando engravidou, ela foi a praia, e.... usou biquíni. Isso causou verdadeira comoção, por que não se exibia gravidez assim, tão escancaradamente.


Leila na praia, exibindo sua gestação.
Reprodução: noticias.uol.com.br

Leila era a representação da liberdade. Ela fazia apologia ao prazer feminino, mas fazia também apologia a felicidade, a ser quem você é.

No dia 14 de julho de 1972, enquanto voltava de um festival de cinema na Austrália, o avião em que Leila estava explodiu no ar, causando sua morte, aos 27 anos. Ela adiantou seu voo por sentir saudades da filha.

Sua filha Janaína permaneceu sob os cuidados da atriz Marieta Severo e do cantor Chico Buarque até que seu pai, o cineasta Ruy Guerra, tivesse condições de cuidar da filha.


Leila Diniz e Marieta Severo em 1966.
Reprodução: astroemrevista.blogspot.com

Leila tinha como preocupação seguir os valores que ela tinha estabelecido para si. Foi perseguida pela direita (depois da sua entrevista ao jornal O Pasquim) e era considerada superficial pela esquerda. Duvido que ela realmente se importasse. Na verdade, concordo com Rita Lee: toda mulher é meio Leila Diniz.*


"Eu posso dar pra todo mundo, mas não dou pra qualquer um"
 Leila Diniz.

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Referências para o post: http://educacao.uol.com.br/biografias/leila-diniz.jhtm
http://www.brasilpost.com.br/2015/03/25/frases-leila-diniz_n_6933580.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leila_Diniz
http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-544119/biografia/
http://www.omartelo.com/omartelo23/musas.html


* você pode ouvir Todas As Mulheres do Mundo, música da Rita Lee, clicando aqui.

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