1 de fevereiro de 2016

5 expedições, 4 sobreviventes, 3 Canudos e uma história

No primeiro post do blog, eu disse que nasci na Bahia, mas não especifiquei bem a cidade. Minha cidade natal é Euclides da Cunha, município de aproximadamente 60 mil habitantes, segundo o Wikipedia.


Localização de Euclides da Cunha, BA. Fonte: Wikipedia.

Quem estudou um pouco de modernismo ou pré modernismo pode ter achado o nome "Euclides da Cunha" familiar. Euclides da Cunha é conhecido por ser o autor da obra "Os Sertões", que retrata a Guerra de Canudos.

Fazendo um resumão sobre a obra e a Guerra, no livro Os Sertões, publicado em 1902, pela primeira vez, o nordeste brasileiro é retratado de forma realista, mostrando de certa forma, que o Brasil era dividido em dois: uma parte (a "sul") desenvolvida, enquanto a outra, atrasada temporalmente, além da seca, da fome, da miséria.

Euclides da Cunha era jornalista e foi enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo, como correspondente, ao norte da Bahia para fazer a cobertura do conflito no arraial de Canudos, liderado por Antônio Conselheiro.

Antônio Conselheiro era um beato e pregador que possuía muitos fiéis. Ele fundou um povoado, chamado Belo Monte, na cidade de Canudos, por volta de 1890. Os seguidores de Antônio Conselheiro também ali se fixaram, pois tinham acesso à terra sem serem explorados e logo, a região possuía milhares da habitantes.

As autoridades políticas e religiosas começaram a se incomodar com o sucesso de Canudos e usaram a acusação de que Antônio Conselheiro era monarquista e inimigo da República.

Aproveitaram-se de uma reclamação feita pelo beato: uma compra de um lote de madeira para construir uma igreja não foi entregue, o que gerou uma discussão, para atacar a cidade.

Em novembro de 1896 aconteceu a primeira expedição, só que os policiais, surpreendidos pelos seguidores de A. Conselheiro, foram derrotados.

Esse insucesso nas expedições se repetiu três vezes, até que, em outubro de 1897, quase um no depois da primeira expedição, oito mil homens foram enviados à Canudos, onde aconteceu um verdadeiro massacre e, segundo o relato de Euclides da Cunha, restam apenas quatro sobreviventes (de uma população estimada em trinta e cinco mil pessoas): um velho, dois adultos, e uma criança.

Para saber mais sobre Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos, acesse esse link.

TÁ, MAS POR QUE EU FALEI TUDO ISSO? Por que eu visitei a cidade de Canudos, que fica a aproximadamente 68 km de Euclides da Cunha e se você leu até aqui, vai ver muitas fotinhos tiradas com muito amor para mostrar o sertão para vocês.

A Canudos da Guerra, como expliquei, foi afundada por volta de 1950. O presidente da época, Getúlio Vargas, decidiu construir um açude na região. Essa foi a primeira Canudos.

A segunda Canudos é a que foi construída depois da Guerra, perto das ruínas da Primeira Canudos, mas esta geralmente também está embaixo das águas, a não ser quando a barragem seca, que foi o que aconteceu agora, no fim de 2015 para 2016. 

A terceira Canudos é a cidade que hoje existe, que fica perto da barragem.

Estátua de Antônio Conselheiro, na Terceira Canudos. 


Museu Histórico de Canudos
No museu estão objetos usados na época e também durante a Guerra.

Balas, ferraduras, uma máquina de costura e na parte superior, um retrato que é muito comum nas casas nordestinas.



Espingardas, utensílios domésticos e um altarzinho.


A moeda da época.



E esse buda, que não tem relação nenhuma com nada (???)
Uma foto da cidade

Depois de visitar o museu fomos para a Segunda Canudos que estava seca.

A ponte pela qual passamos no dia. Hoje a água já subiu muito e cobriu a ponte.


As ruínas de uma igreja na segunda Canudos.

Meus primos subiram na parte mais alta do que sobrou da igreja, mas como eu tenho medo de altura, fiquei por ali mesmo :-)

Todos esses locais da Segunda Canudos já estão afundados novamente! Foi muita sorte o fato de que a minha viagem para a Bahia coincidiu com a seca no açude, em que o nível da água não ficava tão baixo o suficiente para ver as ruínas desde 2000.


Essa foto foi numa parte mais alta de Canudos e toda essa paisagem verde atrás de mim já se encontra coberta de água.
Quero agradecer muito à minha tia Sônia por realizado meu desejo de conhecer Canudos e ao meu primo Celson Júnior, que me informou muito sobre Canudos, Júnior, você é massa!

Pra encerrar uma foto minha com meu grande amigo Euclides da Cunha:


E sua célebre frase, que tem todo o direito desse mundo de ser célebre:



Valeu, Euclides!

Fontes: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/o/os_sertoes
http://www.coladaweb.com/resumos/os-sertoes-euclides-da-cunha
http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_416328.shtml
http://www.suapesquisa.com/historia/guerradecanudos/antonio_conselheiro.htm

Todos os sites foram acessados dia 01/fev/2016.


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