28 de julho de 2015

"o que você quer ser quando crescer?" e o que existe por trás dessa pergunta


Aos 3 anos, já estão te perguntando: "O que você quer ser quando crescer?", mas a resposta naquela idade não importa muito - ainda - por que (meu caso) às vezes, a cada semana a criança quer ser uma coisa: professora, médica, astronauta, cantora. Quando não quer tudo de uma vez. "Eu vou ser médica e cantora" "Ai que linda! Ela quer ser médica e cantora!"

Mas é claro que isso muda com o tempo.

Ultimamente tenho pensado em como já está subentendido desde pequenos que nossa profissão é o que nós somos ou o que seremos. Desde criança nos perguntam: O que você quer SER quando crescer? E aí a criança responde uma profissão. A pergunta não é "com o que você vai trabalhar?" ou algo do tipo.

Pode parecer uma viagem, mas tem tanta gente nesse planeta que tem um ar de superioridade porque é formado ou cursa (tipo: você nem é formado ainda pelo amor de Deus) num curso que a sociedade valoriza muito, e valoriza por causa do salário.

E o salário é maior por que a sociedade valoriza.

Eu acho que todas as profissões são importantes. Inclusive as que não precisam de curso superior. É claro que as profissões onde você lida com a vida de pessoas têm uma "responsabilidade" maior, e por isso, são valorizadas.

Mas a profissão mais importante não é nada valorizada. Sem esse profissional não tem médico, engenheiro, arquiteto, jornalista, etc. Mas ainda assim, não há nenhum "glamour" em ser professor. 

Acho que todas as pessoas que querem cursar/cursam algo menos "glamourizado" entendem do que eu estou falando. Alguém pergunta o que você quer fazer e aí você responde e a pessoa faz aquela cara de quem está passando mal que dura alguns segundos. Ás vezes ela não sabe o que é, pra que serve, você explica, esperançoso, E AÍ vem a pergunta: "mas você vai ganhar dinheiro com isso?"

"Olha eu pretendo viver de fotossíntese então se eu não ganhar nada tudo bem."


Na verdade, sim. Não sei se vou ganhar dinheiro pra LUXAR, viver uma vida de ostentação com várias correntes de ouro mas vou conseguir viver.

A gente tem um estereótipo muito louco com isso e nem percebe, por exemplo: Se é médico/engenheiro é bem sucedido OBVIAMENTE. É rico, feliz, saudável, tem uma família de comercial de margarina. Exagerei um pouco pra tentar explicar como sucesso profissional é diferente de felicidade. Existem vários fatores pra você ser feliz, sucesso profissional é um deles, mas não é o único.

Quero deixar claro que não tenho nada contra aos médicos e engenheiros, se é com isso que você quer trabalhar de verdade, tem vocação, vá em frente! São profissões muito importantes, assim como muitas outras.

Mas vamos deixar claro uma coisa aqui: você NÃO é a sua profissão. Não faz sentido se gabar por ter um filho ou sobrinho ou primo ou vizinho ou cachorro graduado em engenharia/medicina/direito. Isso não quer dizer que ele é uma boa pessoa ou que ele é feliz. Em alguns casos não quer dizer nem que ele é inteligente. 

E, para as pessoas que assim como eu, decidem fazer um curso não glamourizado: não se deixem abalar por comentários não muito construtivos. Não desistam do que querem, se é isso que vos fazem felizes, afinal: "Quem trabalha com o que ama, não trabalha". ♥


p.s.: pra quem não percebeu, há sarcasmo em algumas linhas desse texto (-: bjo <3

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